“Esse Outubro Não é Rosa” é um documentário impactante sobre a angústia diária da luta pela vida de duas mulheres enquanto correm contra o tempo. De um lado uma doença que não espera para avançar rapidamente e do outro a morosidade de um sistema de saúde pública que as obriga a esperar pelo tratamento.
Um filme que nasceu em 2024 dentro da campanha de mesmo nome, realizada pela Movimenta Filmes e o Instituto Umanizzare do DF, ( https://2.0.movimentafilmes.com/esse-outubro-nao-e-rosa/) e acompanha Fátima e Rafaella, duas mulheres incrivelmente fortes e determinadas, ambas assistidas pelo Instituto, cujas histórias de superação pessoal se cruzam com a necessidade urgente de tratamento médico.As duas já enfrentaram o câncer antes e sobreviveram.
Agora, elas estão de volta à luta — desta vez, não só por si mesmas, mas por todas as mulheres que não possuem recursos ou redes de apoio.
A narrativa do filme oferece uma visão íntima e não romantizada das dificuldades que essas mulheres enfrentam. Fátima, marcada por tragédias pessoais e por uma genética que favorece o câncer, perdeu duas irmãs para a doença, tem um irmão com câncer de próstata e já sepultou dois de seus quatro filhos. Mesmo diante de tamanha dor, ela se mantém de pé, determinada a lutar por sua vida e pela de outras mulheres. Rafaella, que já superou um câncer de ossos, agora enfrenta um câncer de mama agressivo com a mesma força e determinação. Ambas escrevem livros sobre suas vidas, como uma forma de deixar um legado e de lidar e processar suas dores.
Este documentário não é um filme “consolador”. É uma obra forte, que humaniza as mulheres na fila do SUS, dando rosto e voz àquelas que, muitas vezes, ficam invisíveis diante das estatísticas. Juntas, elas não apenas lutam pela própria sobrevivência, mas também se unem como porta-vozes de todas as mulheres invisíveis que esperam nas filas do SUS por um tratamento que pode salvar suas vidas. Enquanto uma rede de amigas arrecada dinheiro para custear parte do tratamento na rede privada, o filme faz um paralelo entre a corrida contra o tempo imposto pela doença e as lentas engrenagens do sistema único de saúde.
Mostramos também a luta de profissionais de saúde empenhados e comprometidos na melhoria da morosidade do sistema e que de forma dedicada enfrentam dificuldades diárias para gerar soluções. Profissionais de saúde que trabalham intensamente em prol da população brasileira, afinal o SUS é de todos nós.
Fátima como autora e Rafaella como poeta, usam a escrita profunda e intimista para vencer seus medos e angústias, e fazem dessa verdade um farol sobre uma questão importante que todos sabem existir mas ninguém quer ver. “Esse Outubro Não é Rosa” é uma história de resiliência, medo, solidariedade e, acima de tudo, uma denúncia da falha do sistema público que deveria proteger essas mulheres e não violentá-las com indefinições e esperas infinitas.
O filme é uma denúncia clara e necessária sobre as esforços e falhas do sistema público de saúde, os que infelizmente condena muitas mulheres a uma corrida desesperada contra o tempo — uma corrida que, em muitos casos, elas não conseguem vencer.







